A nossa cara

O brasileiro nasce corrupto? Ou torna-se um?

Jéssica Loyola

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Segundo Fábio Ostermann, professor mestre em Ciências Sociais, “É importante entender, em primeiro lugar, que o brasileiro não nasce corrupto. A corrupção no Brasil é fruto das nossas instituições, moldadas por séculos de tradição ibérica, patrimonialista e cartorialista, onde o público se confunde desde as entranhas com o privado. Somos a república dos cartórios, dos alvarás, das concessões e, sem surpresa, do jeitinho”.

A famosa expressão “jeitinho brasileiro” teria sido elaborada em 1982, passando a ser empregado como sinônimo de facilitação de algo que poderia ser difícil de ser executado.

(Fonte: http://www.sitedecuriosidades.com/curiosidade/a-historia-dojeitinho-brasileiro.html) 

As instituições nacionais, burocráticas por natureza, até mesmo nos dias de hoje, criam dificuldades para cumprir suas funções, das mais elementares às mais complexas. Daí é alimentada a prática da concessão de propina, com vistas a facilitar a vida daqueles que sofrem com a burocracia crônica institucionalizada. Tanto é, que os termos “peixada”, camaradagem e apadrinhamento são constantemente usados no dia a dia dos brasileiros, sendo amplamente conhecido (e socialmente aceito) que só através de terceiros intermediadores é que se torna possível usufruir de um direito que já é garantido por lei.

Lamentavelmente, essa é apenas a ponta do iceberg. A situação é mais onipresente do que se imagina: fura-se filas, joga-se lixo nas ruas, infringe-se regras de convívio social. Não que sejamos um povo essencialmente corrompido – vai ver foi o jeito que o brasileiro encontrou para sobreviver. A impressão que dá é a de que o Governo limita sua atuação em áreas que envolvem direitos essenciais e garantidos pela Constituição, com o intuito de delegar as referidas áreas para empresas privadas, dificultando, assim, a vida de vários brasileiros. Como é sabido, o salário atual do brasileiro sequer dá para as sua necessidades habituais – fomentando, assim, cada vez mais o “jeitinho brasileiro”. Uma reforma política, além de uma participação mais ativa

da população, surge, para muitos, como único remédio possível e necessário, e a população já se mostrou querer mudanças no cenário político atual. Tendo em vista que todo o poder emana do povo, já está mais do que na hora de usá-lo.

Para tentar mudar esse cenário cheio de escândalos, a mudança deve partir da população, a participação popular ideal tem que ser feita nos plenários e casas legislativas, ou quaisquer ambientes de reuniões e debates públicos, a fim de demonstrar interesse pela coisa pública, além de fiscalizar aquele que foi escolhido como seu representante . Segundo o IBGE, o Brasil tem cerca de 5.570 municípios, já imaginou se cada um deles realmente usassem os recursos que lhes são repassados? Seriamos uma nação e tanto, e quem sabe, a população não precisaria se valer de terceiros para ter, a exemplo, um atendimento médico em um posto de saúde sem ter que esperar horas por isso.

Não será da noite para o dia que deixaremos o “jeitinho brasileiro”, precisamos ter a ciência de que devemos nos interessar mais pela nossa política e deixar de lado o senso crítico nas redes sociais, no conforto de nossa casa. Infelizmente dizem que política não se discute, com intuito de evitar conflitos, ao mesmo tempo em que nos leva a escolher mal um candidato. Acredite, tudo que um político desonesto quer é que você continue perdido nas trevas da ignorância e muito bem relaxo em sua casa, mas a partir do momento em que você se impõe, ele poderá pensar bem antes de te enganar.